Mostrando postagens com marcador Política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Política. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de abril de 2011

As dores do crescimento


Aumento da nota de classificação de risco dada ao Brasil pela Fitch, apesar de positivo, contribuirá para valorizar ainda mais o Real, prejudicando a indústria nacional
ão se desenvolve a economia de um país impunemente. A elevação da nota dada ao Brasil pela agência de classificação de risco Fitch Ratings, anunciada nesta segunda-feira (04/04), seria recebida com pulos de alegria por parte do governo alguns anos atrás, como o foi quando o país conquistou o “grau de investimento” da agência em maio de 2008. Desta vez, no entanto, a passagem de BBB- para BBB foi recebida com um sorriso tímido e também preocupado por parte do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Não sem motivo. O governo tem se esforçado, sem sucesso, desde o final do ano passado para deter a valorização do Real. O aumento da nota brasileira pela Fitch contribuirá para uma fortalecimento ainda maior da moeda nacional, prejudicando a indústria do país.

+ Fitch destaca controle fiscal e crescimento brasileiro

Ao comentar o upgrade, Mantega disse tratar-se do “reconhecimento de que a economia brasileira está cada vez mais sólida”, porém, admitiu que a elevação do rating representa um “certo problema”. “A notícia é surpreendentemente boa, especialmente quando se vive um momento de crise fiscal tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, mas ela cobrará um preço no curto prazo: a valorização do Real”, afirma Ernesto Lozardo, professor de economia da FGV-EESP.

O raciocínio é simples. O já palpável aumento da confiança no Brasil, referendado agora por uma agência de classificação de risco como a Fitch, é a chancela para os investidores estrangeiros, especialmente para os milionários fundos de pensão, de que o país é um território seguro para investir, sem risco de calote. O resultado: mais capital estrangeiro entrando no país, tanto para especular como para produzir, e, inevitavelmente, valorização do Real. A atual trajetória de alta da Selic, inevitável para domar a inflação, só piora o cenário, tornando o Brasil ainda mais atraente.

O fortalecimento da moeda nacional, por sua vez, faz com que as importações brasileiras percam competitividade no cenário internacional e aumenta o consumo de produtos importados, que ficam mais baratos. Um golpe duro para a indústria nacional. “Os efeitos negativos para a indústria, principalmente em setores mais frágeis como o têxtil, de calçados e eletroeletrônicos, podem causar o aumento do desemprego”, analisa Lozardo.

Próximos passos

Essa situação não deve ser revertida no curto prazo, muito pelo contrário. Com a melhora da classificação brasileira pela Fitch, a tendência é que outras agências como a Moody’s e a Standard & Poor’s também reavaliem a nota do país, agindo de maneira coordenada, ainda que não simultaneamente. “A conjuntura no Brasil está tão favorável, temos tantas condições de cumprir com nossos compromissos, que nós nos tornamos uma aposta certeira para essas agências”, diz Celso Grisi, professor da FEA-USP.

O governo, que já vinha adiantando que tomaria mais medidas para evitar a alta do Real, terá que agir mais fortemente. “No curto prazo, o governo precisará tomar medidas paliativas, como o aumento da tributação sobre o capital estrangeiro de curto prazo. Uma solução efetiva para o problema, no entanto, só virá no longo prazo, com o estabelecimento de uma política industrial sólida, para equilibrar a demanda com a capacidade produtiva e dar a infraestrutura necessária ao país para absorver o capital estrangeiro. O Brasil investe muito pouco. Enquanto a China investiu 48% do PIB em 2009, aqui foram investidos apenas 16,7%”, afirma Otto Nogami, professor do Insper. O aumento da tributação sobre os bens de consumo importados também é uma das cartas que está na mesa.

Por ora, as medidas tomadas por Brasília não têm surtido o efeito esperado. Nesta segunda, o dólar fechou com queda de 0,19%, cotado a R$ 1,609, o menor valor desde agosto de 2008. No ano, a moeda acumula desvalorização de 3,31%. Para André Sacconato, diretor de pesquisas da consultoria Brasil Investimentos, os esforços, entretanto, estariam, sim, funcionando. “Questionam a valorização do real e a postura do governo. A pergunta a ser feita é: quão desvalorizado estaria o dólar se não fossem essas medidas?”.

Apesar dos poréns, a decisão da Fitch deve ser, sim, comemorada. Ao atrair mais investimentos para o país, o Brasil ganha recursos para se desenvolver e as empresas que estão na bolsa, mais facilidade para se capitalizar. “Grandes fundos de investimentos estão de olho nessas classificações. Cada ponto positivo é notado”, diz Sacconato. Com isso, as empresas brasileiras também ficam habilitadas a conseguir empréstimos a custos mais baixos e, quando pretendem lançar títulos fora do país, encontram um cenário mais favorável, uma vez que passam a ser associadas a um “ambiente econômico de baixo risco”, afirma Sacconato.

Governo Dilma

Se do ponto de vista econômico o aumento da nota brasileira pela Fitch traz boas e más conseqüências, do ponto de vista político ele poderia ser comemorado como um gol de placa pela presidente Dilma Rousseff. A melhoria da classificação é, implicitamente, um voto de confiança a seu governo, que vive sob certa desconfiança do mercado em relação à capacidade de realizar os cortes de despesa necessários para o crescimento sustentável do país. Para Grisi, da FEA-SP, a decisão da Fitch “revela o crédito que a comunidade internacional deu à transição do governo Lula, mais populista, para um governo mais técnico. A nova avaliação soa como um elogio ao governo Dilma”. Resta saber por quanto tempo o mercado irá manter o clima de lua de mel.

Confira a classificação da Fitch para outros países (em ordem decrescente):

Classificação da Fitch
País Rating
Estados Unidos AAA
Espanha AA+
Japão AA
Arábia Saudita AA-
Chile A+
China A+
Estônia A
Polônia A-
África do Sul BBB+
Irlanda BBB+
Brasil BBB
México BBB
Rússia BBB
Tailândia BBB
Bulgária BBB-
Índia BBB-
Indonésia BB+

sábado, 2 de abril de 2011

Partido de Kassab une 'desconectados Brasil afora', diz tucano


O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, criticou nesta manhã em Belo Horizonte a criação do PSD (Partido Social Democrático) pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

Para o tucano, Kassab está "reunindo os desconectados Brasil afora", numa referência à busca por filiados entre políticos descontentes de vários partidos.

PSDB vai levar à TV críticas ao governo Dilma

"Isso vai na contramão do que se espera de uma reforma política, que é a criação de partidos políticos sólidos'', afirmou o presidente do PSDB.

Ele negou que o PSD tenha força de esvaziar o PSDB, mas admitiu que ele pode provocar uma "lipoaspiração" em siglas aliadas, como o DEM.

"O partido acabou se transformando numa janela não autorizada'', criticou.

"Janela" é o termo usado por políticos para definir uma autorização para que se possa trocar de partido sem sofrer as punições definidas pela súmula da fidelidade partidária, que determina a perda de mandato para quem deixa a sigla pela qual foi eleito.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Cubanos esperam morte natural do regime


Crise econômica e falta de direitos civis fazem população esperar morte de líderes para ver mudança na Ilha.


Na Havana de poucos prédios restaurados e de construções e ruas deterioradas, há um cansaço explícito com a Revolução Cubana – e um desejo implícito de mudança. Por temor, são poucos os que assumem isso com todas as letras, mas, num discurso muitas vezes ácido contra o governo, os cubanos revelam nas entrelinhas esperar a morte dos líderes Fidel e Raúl Castro para ver o fim do regime cinquentenário.
Dizem que as reclamações feitas abertamente nas ruas, em restaurantes e cafés, nos pontos de ônibus, nas barbearias, dentro dos táxis, são um fenômeno relativamente recente na capital cubana. Segundo o jornalista independente Reinaldo Escobar, é coisa de uns cinco a seis anos. A blogueira Regina Coyula, do site Malaletra, concorda. “Antes, se falávamos algo como ‘a situação está cada vez pior’ num ponto de ônibus, só havia silêncio. Agora, sempre alguém se junta ao coro”, contou.

Um dos principais motivos é o bolso. Com a economia do país em frangalhos, o governo vem apertando o cinto. Com metade de seus campos improdutivos, Cuba importa 80% dos alimentos. Mas, com a diminuição do preço do níquel no mercado internacional – o principal produto de exportação cubano – e do turismo pela recessão mundial, o país cortou 38% de suas importações no ano passado para tentar seguras divisas.

Os efeitos foram sentidos diretamente pela população, que percebeu a diminuição gradativa da lista de alimentos subsidiados. Os cortes de produtos foram tão drásticos que correu o rumor de que o governo estudava cancelar de vez a “libreta de abastecimiento”, sistema que vigora na Ilha desde 1962. “Se suspenderem a libreta, a população morrerá de fome”, disse uma cubana que pediu para não ser identificada. “A situação está cada vez pior. Não há esperança. Não há onde nos agarrar”, completou.

fonte:ultimosegundo.

terça-feira, 8 de março de 2011

Partido de Kassab é 'distorção da legislação', diz especialista


Para pesquisadora, nova sigla teria perfil de centro-direita, atrairia traidores do governo Dilma e descontentes de nanicos

A ideia do prefeito Gilberto Kassab (DEM) de criar um novo partido para se fundir ao PSB é perfeitamente viável do ponto de vista da legislação eleitoral. Para a Ordem dos Advogados do Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral deverá deferir tanto a criação do novo partido como a fusão com outra legenda. Do ponto de vista do mérito, no entanto, a ação pode ser questionada, de acordo com a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga. Para a especialista em processos partidários, a nova sigla seria uma “distorção da legislação”.

iG – Como o eleitor pode avaliar a criação de um novo partido com o objetivo de se fundir a outro?
Maria do Socorro - É uma saída estratégica, uma distorção da legislação. A própria questão da lei de infidelidade partidária acabou inibindo a troca de partidos, que girava em torno dos 30% (a lei estabelece que o mandato pertence ao partido). Mas deixaram uma brecha. A criação de um novo partido para fusão é a brecha que acaba passando a imagem de que o sistema partidário é caótico, onde pode tudo. É uma contribuição negativa ao sistema político.
G – Como podemos entender a possível união do DEM, um partido de direita, ao PSB, dito socialista e de origem na esquerda?
Maria do Socorro - A união PSB e DEM é muito estranha, mas acompanhando o PSB nos Estados, vejo que o recrutamento é muito próximo aos partidos de direita. Os quadros do PSB têm um perfil muito parecido com os do DEM. Se pensarmos nos grupos dos quais eles estão próximos, não fica estranho. Por exemplo, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, representante do capital, que foi candidato ao governo de São Paulo pelo PSB. Ele é representante do capitalismo. A cara pública, seus políticos e candidatos são de segmentos que também são representados pelo DEM. Claro que há candidatos mais à esquerda, como a deputada Luiza Erundina. Mas estes devem sair.

iG – Como a criação desse partido afetaria as eleições de 2012 e 2014?
Maria do Socorro - A ideia dessa fusão é de alguma forma furar a polarização entre PT e PSDB, tanto nas eleições municipais de 2012 em São Paulo como nas presidenciais em 2014. As eleições de 2012 serão fundamentais para mensurar o poder dessa coalizão em 2014. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (presidente nacional do PSB), quer ser vice em uma chapa com o PT, mas pode ser até com o PSDB. Em São Paulo, a fusão vai tentar furar o ciclo do PSDB. Conforme o peso da aliança, deve atrair outros quadros para formar uma frente com partidos pequenos de direita, além do próprio PDT, que já não apoiou o governo Dilma com relação ao salário mínimo. Para ter força, o novo partido não pode ser totalmente à direita, como o DEM. Tem que ser centro-direita para atrair outros partidos mais afinados com o governo. Ou seja, quanto maior a infidelidade ao governo Dilma, maior a possibilidade de uma recomposição a partir daí.

iG – Como o governo poderia diminuir a possibilidade de que infiéis migrassem para o novo partido?
Maria do Socorro – Depende da forma como farão a ocupação do segundo escalão, os cortes no Orçamento, as reformas prometidas na campanha...Tudo isso pode mexer com setores desses partidos mais fisiológicos, acostumados a barganhar o tempo todo. Vamos ter de avaliar quanto os partidos estarão perdendo ao sair do governo.

iG – Essa ação que a senhora chama de “fisiológica” pode afetar a aprovação de Kassab?
Maria do Socorro - Ela já está caindo e deve baixar ainda mais. Para certo público, essa ação fisiológica pode fazer diferença negativa. Mas grande parte do eleitorado está muito mais preocupada com seu cotidiano, fica à margem dessas questões de articulação política. Os aspectos negativos da administração não serão responsabilizados pela articulação.